02 set

Energia Solar como Negócio: O Jogo Começou

O 6º LER – Leilão de Energia de Reserva, ocorrido no último dia 31 de Outubro, é o apito inicial para a consolidação da indústria solar fotovoltaica no Brasil.  Nesse certame foram comercializados 890 MW dessa energia, inaugurando no Brasil um novo caminho para o crescimento da matriz energética com fontes limpas e renováveis.  O Brasil se orgulhava de ter em 2013, 41,9%i de sua energia baseada em fontes renováveis. Quando consideramos apenas a energia elétrica essa participação sobe para 83,8%ii.

Essa característica vem sendo manchada nos últimos anos pelo uso sistemático da energia térmica a óleo que além de extremamente cara é poluidora e geradora de gases causadores do efeito estufa. Para se ter uma ideia, o mesmo percentual citado no parágrafo anterior, no ano de 2011 era de 44,1%. Por causa de um misto de falta de planejamento e fraca pluviometria, desde 2012, o parque térmico está funcionando a pleno vapor, despejando na atmosfera toneladas de poluentes e detonando o cofre público e o bolso dos consumidores e contribuintes.

Nesse sentido, o resultado do LER é um marco histórico para o setor elétrico brasileiro e, nas palavras de Maurício Tolmasquim – Presidente da EPE, “coloca o Brasil como uma das fronteiras da expansão da energia solar”iii. A comercialização de 890 MW, ou seja, 31 projetos, trará investimentos da ordem 4 bilhões de reais, com a boa notícia de que desses 2,6 bilhões serão aplicados no Nordeste onde estão localizados 18 projetos, sendo 14 na Bahia.

A cadeia produtiva do cluster fotovoltaico vai desde a o desenvolvimento dos projetos até o serviço de monitoramento passando por fabricação dos equipamentos, instalação e manutenção das usinas. Ou seja, essa indústria nascente abre uma infinidade de oportunidades de negócios que já vêm sendo exploradas por algumas empresas pioneiras. Empresas como a instaladora Insole de Recife ou a desenvolvedora SER Energia de Salvador.  Esta última tem 33 projetos de usinas fotovoltaicas desenvolvidos em 6 estados do Nordeste.  Segundo o executivo David Fontes, o Leilão foi uma grande oportunidade de comercialização dos projetos habilitados, tendo a SER ENERGIA comercializado 8 deles: dois com um fundo de investimento americano, quatro com duas empresas elétricas espanholas e um com um grupo nacional.

A expectativa de todos os atores desse segmento é que o “jogo” está apenas começando, o Governo anunciou que pretende contratar 3 mil MW de energia solar nos próximos anos em novos leilões específicos. A energia solar é, das fontes renováveis a que teria maior condição de responder rapidamente aos desafios que o setor elétrico está passando nesse período de chuvas escassas. Um parque fotovoltaico tem prazo de implantação inferior a um (1) ano, contra 2,5 anos da eólica e 3 anos das PCHs – pequenas centrais hidroelétricas.

A se confirmar o cenário previsto pelos meteorologistas, de mais um ano de fraca pluviometria, os reservatórios das hidroelétricas, que já se encontram em níveis preocupante, estarão abaixo dos níveis de 2001, ano do apagão.  O Governo tem duas opções: Continua acionando as térmicas queimando óleo e o dinheiro do contribuinte ou inova e busca soluções alternativas de rápida aplicação. Com o sucesso do LER de 31/10, cresce a torcida pela segunda opção. No 6º LER a fonte solar teve preço médio de R$ 215,53/MWh, enquanto o preço da energia térmica que estamos pagando desde outubro de 2012 é superior a R$ 1.000/MWh.

 

  • i   –  Fonte EPE – PDE 2022 – Resultado para o ano 2013
  • ii  –  Fonte EPE – Extraído do PDE 2022
  • iii – Jornal da Energia em 31/10/2014

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